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Sinopse:
História do amor proibido vivido por Simão Botelho e Teresa de Albuquerque,
descendentes de famílias inimigas. Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa, quer
que esta case com seu primo Baltazar Coutinho, intenção partilhada por este.
Simão mata Baltazar, sentenciando a impossibilidade de reunião com a amada.
Teresa vai para um convento e Simão é condenado ao exílio. Mariana, filha de
João da Cruz, o ferreiro moralmente endividado com o magistrado Domingos
Botelho, pai de Simão, devota-se a deste até ele morrer de doença e amor.
Observações
Primeira de três adaptações do romance homónimo de Camilo Castelo Branco ao
cinema - a segunda foi de autoria de António Lopes Ribeiro, em 1943, e a
terceira de Manoel de Oliveira em 1978.
Segundo Manoel de Oliveira, o "Amor de Perdição" de Pallu foi o primeiro
filme português vendido para os EUA.
"O cuidado posto em todos os pormenores, a veracidade dos ambientes, a
estranha psicologia das personagens, a força dos conflitos, tudo isto dá ao
filme, visto a sessenta e cinco anos de distância, uma certa qualidade, mas
que não ultrapassa a ilustração, o convencionalismo das formas teatrais, dos
quadros estáticos."
Luís de Pina, in História do Cinema Português, ed. Europa-América, col.
Saber, 1986
"Apesar de não ter corrido mal, com mal não correu "Os Fidalgos da Casa
Mourisca", "Amor de Perdição" esteve longe de ser o êxito espectacular que a
Invicta procurou nessas duas "super-produções" qualquer delas em duas
jornadas e com três horas de duração. Este "Amor" marca simultâneamente o
máximo de ambição da Invicta (o filme custou 95 contos, qualquer coisa como
1 milhão de euros de hoje) e o começo do seu declínio, sobretudo quando se
verificou que a distribuição internacional não "pegava" nestas obras.
Todos os interiores foram filmados no estúdio do Carvalhido (a decoração é
modesta e convencional) mas para os exteriores filmou-se em Viseu e em Paços
de Brandão, na Casa do Engenho Novo e no Solar da Portela, ou em Coimbra, na
Universidade, com autorização especial "desde que os trajes escolhidos para
a indumentária dos estudantes correspondessem à verdade histórica da época.
E diz-se (diz o Dr. Félix Ribeiro) que só a cena do baile custou quinze
contos.
Um último apontamento histórico, também devido a Félix Ribeiro: havendo na
altura um litígio sobre os direitos do romance entre os herdeiros de Camilo
e a Companhia Portuguesa Editora, os netos do escritor embargaram a estreia
que foi adiada e só conseguida depois da Invicta lhes pagar 12 contos. E, a
9 de Novembro de 1921, "Amor de Perdição" estreou-se no Olympia do Porto (a
28 em Lisboa, no Condes) com uma pequena orquestra a tocar a partitura de
Armando Leça, especialmente composta para o filme."
João Bénard da Costa, in Folhas da Cinemateca, 13 de Maio de 2003
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