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O Cinema no Estado Novo

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O Estado Novo e o Cinema

Não foi há muito tempo, o Estado Novo. Durou mais anos do que aqueles que passaram desde que terminou, na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974.

As suas marcas são ainda visíveis hoje, nomeadamente na ansiedade de tentar criar uma indústria de cinema num país onde ela nunca existiu.

A primeira legislação com repercussões no cinema nacional data de 1927, ainda com a Ditadura Militar, e instaurou fenómenos como a Lei dos Cem Metros, que tentou forçar a existência da produção nacional no campo dos documentários. O resultado foi uma série de películas mudas, intragáveis e repetidas até à exaustão, que eram exibidas mesmo com o advento do sonoro. A lei, essa, acabou por ser esquecida mesmo pelos legisladores.

Salazar, que moldou o País ao seu olhar, teve uma peça essencial nessa missão: António Ferro . Um homem brilhante que, através do Serviço Nacional de Informação, pecou pelo facto de tentar impor às pessoas a sua visão do que deveriam ser os filmes. Tal como Salazar, conhecia a força do cinema, a sua influência, a sua capacidade de gerar realidades alternativas. Por isso reforçaram a censura, arma que conduzia, antes de mais, ao auto-constrangimento artístico. Usada e abusada, a censura entrou mesmo em filmes como a « Aldeia da Roupa Branca», bloqueou centenas de filmes estrangeiros e inibiu a criação artística interna.

Quem fosse ao cinema, tinha poucas opções: podia ver as comédias,odiadas por Ferro mas adoradas pelo público, ansioso de gargalhadas, ou via os documentários de propaganda disfarçada de actualidades, transportados por todo o país pelos Cinemas Ambulantes. A outra opção eram os filmes estrangeiros, aqueles que Salazar, pela mão de Ferro, deixava entrar, e obrigava a legendar. Quem fosse analfabeto, e eram a maioria, não ia ao cinema.

Salazar parecia gostar de cinema, e respeitava a sua força. Usava-a em seu favor, mas não permitia que o vissem como um mortal. Para ele, o poder tinha de ser sinónimo de sacrifício, de abnegação. Nunca entretenimento. O Presidente do Conselho chegou a ter uma sala privada, mas raramente a usou. Quanto a António Ferro, usou todas as armas ao seu alcance para moldar os gostos dos portugueses, através de medidas como o Fundo do Cinema Nacional, prémios do Estado Novo que enalteciam filmes baseados em romances intemporais ou vidas épicas como a de Camões. Teve pouco sucesso.

Perceber os diversos aspectos do que foi o cinema português durante o Estado Novo é um passo para entender a sétima arte em Portugal nos dias que correm.

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Cinema de Animação

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Animação Portuguesa

O cinema de animação tem cerca de 80 anos de vida em Portugal, mas esta tem tido os seus altos e baixos. O «Pesadelo de António Maria» fixa o seu nascimento em 1923, tendo depois um percurso irregular, que apenas de desenvolve nos anos 60, com um forte pendor publicitário.

O 25 de Abril de 1974 vem abrir as portas deste género cinematográfico, destacando-se os programas de Vasco Granja e o arranque do Cinanima, festival internacional de animação realizado anualmente em Espinho deste 1977. Aqui nasceu toda uma nova geração, com figuras como Regina Pessoa, ou Pedro Serrazina.

Hoje, a animação em Portugal esta mais madura, mas enfrenta dificuldades. Sendo um género que, mais do que as longas metragens, carece de subsídios e de um meio ambiente propicio, o encerramento do estúdio Animatógrafo, liderado por Abi Feijó, e as dificuldades que tem sofrido a Casa da animação, no Porto, são sinais visíveis de um ciclo recessivo. A «Suspeita», realizada por José Miguel Ribeiro, em 1999, foi o ponto alto desta arte, quem tem a vantagem de não ter de se subordinar aos meios «reais» do cinema, convidando a percorrer os caminhos das imaginação.

Mark Baker, realizador britânico de animação, afirmou no último Cinanima que tinha a impressão que em Portugal não havia propriamente uma industria, mas sim «indivíduos». Nada mais certo. Por outro lado, deixou também a mensagem que «também em Londres a industria é muito frágil. Não é nada como na América. O mais próximo que temos disso é a Aardman que, no entanto, é uma excepção».

É verdade que a excepção não faz a regra, mas o género cinematográfico que é a animação, a nível nacional, continua a mostrar uma qualidade que merece ter continuidade.